quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Brasil: dos eleitos e seus eleitores




Temos aí o governo do PT. Os eleitos. Vamos lá:

(1) Começando por algo de mais recente: Carlos Marighella é o novo herói nacional, segundo o PT.Vamos a um trecho da sua obra “intelectual”:

"os modelos de ação que o guerrilheiro urbano pode realizar são os seguintes:

a. assaltos
b. invasões
c. ocupações
d. emboscadas
e. táticas de rua
f. greves e interrupções de trabalho
g. deserções, desvios, tomas, expropriações de armas, munições e explosivos
h. libertação de prisioneiros
i. execuções
j. seqüestros
l. sabotagem
m. terrorismo
n. propaganda armada
o. guerra de nervos"

(do Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano, cap. 9)

Alguém aí ainda estranha por que o PCC orienta seus cães a votar no PT?

Quanto às famílias das vítimas da “obra” de Marighella e da sua Aliança Libertadora Nacional, fico esperando (sentado) as honrarias, reparações e indenizações vindas das hostes petistas encalacradas no governo.

Adiante.

(2) A seguida queda de ministros enlameados até o cocoruto – e as desconversas após a demissão, como se a mera perda do cargo os anistiasse diante da Justiça e da opinião pública. Alguém aí sabe se algo de realmente sério, do ponto de vista jurídico, foi aplicado ao caso Palocci, o ministro que enriquece à velocidade da luz?

(3) O governo paralelo do Pajé Dirceu, que visa, sobretudo, manter, compensar, e se possível (e é, infelizmente) “lavar a égua” com os esquemões surgidos desde a chegada de Lula a Brasília.

(4) A tentativa de calar a imprensa, por meio do “controle social” revolucionário, apoiado por todo um bando de jornalistas contrários à liberdade de imprensa, grande invenção brasileira for export.

(5) A doutrinação socialista descarada nas escolas, além do kit-gay (aguarde o kit-Marighella), e as palhaçadas fraudulentas e ideologicamente manipulatórias do ENEM.

(6) A insistência nas políticas pró-aborto e as intervenções na família por meio de leis como a da “palmada” (anticristã, sobretudo), e da proibição do homeschooling.

(7) Nem é necessário falar do histórico e contínuo apoio do PT às FARC, ao ELN, a Chávez, a Fidel, a Evo Morales, vide o papel central do PT nas atividades do Foro de São Paulo. Da desinformação ao narcoterror em toda a América Latina, o PT sempre dá seu empurrãozinho.

(8, 9, 10, 11...) E há mais absurdos, mas é impossível lembrar de tudo. Opa, lembram do Aerolula? Há alguns escândalos que basta a menção de um nome, ou um mero substantivo, e logo se percebe que é impossível reaver tantas investigações nas estranhas do poder político, para tentar, nem digo lavar a roupa suja, mas ao menos manter alguma legitimidade jurídica à permanência do PT no governo. Delúbio. Erenice. Valdomiro. Sarney. Cueca. Rafale. Lulinha. ONG's. Petrobras. Orlando Silva. Aloprados. Francenildo. Cartões Corporativos. Mensalão. A carga tributária. A dívida pública exorbitante: 1,5 trilhão. Fernando Pimentel. Its never ends...

Abomino a ideia do governo se metendo no mercado, na saúde, e na economia. O PT ama, é da essência totalitária. E o grosso do nosso povo também, afinal, para muitos Getúlio Vargas ainda é ícone. E o que o PT prometeu? O de sempre, o paraíso proporcionado pelo Estado. E como estão as coisas após uma década de PT no governo? SUS para um adoentado queridinho da mídia e da elite acadêmica? "Ah, pare, que ofensa."

É difícil listar, num breve artigo, tantos escândalos, tanto golpes, tanta patifaria.

Diante de tudo isso, só se pode concluir que, no Brasil, a impunidade do PT e sua trupe se tornou o fundamento da governabilidade.

E os eleitores, onde entram nessa? Como se comporta nosso típico eleitor "politizado", aspirante a formador de opinião no Facebook (aquele aterro sanitário)?

Bem, ele não sabe quem é Aleksandr Dugin, ou Herman Von Rumpuy, e quer falar do jogo geopolítico no mundo.

Não sabe o que é keynesianismo, nem da estratégia Cloward-Piven, e quer falar da economia mundial.

Confunde gay com gayzista, negro com afronazi, trabalhador rural com militante do MST, e quer não só posar de bem informado, como impor rótulos odiosos a quem discorda.

Louva o saber científico, mas adere a qualquer slogan catastrofista de ongueiro vegan. Só para ficar na moda.

Louva a liberdade, mas, da regulação dos mercados à proibição de certas palavras, ele defende absolutamente tudo. Afinal, ele é “do bem”.

E ele é sempre “crítico”. Mas sua “crítica” não é nada além do que o repeteco do consenso. Afinal, ele é “antenado”. “Antenado” é o novo nome do “maria-vai-com-as-outras”, da vaca que vai ao matadouro seguindo “as novas tendências, as novas ‘demandas sociais’”. Tanto que, veja só, ele acreditou piamente na “primavera árabe”. E na seriedade do Protocolo de Kyoto, afinal, as "mudanças climáticas" estão aí... Pergunta se ele soube do primeiro Climategate? Nunca! E do segundo? Jamais.

E até se diz cristão. Mas diante da foto de um entusiasta do aborto amigo de velhos terroristas, que foi financiado a vida toda pela elite saudita, perseguidora brutal de cristãos, a figura vibra: “Esse Obama é o cara!”

Eis a “pessoa bem informada” dos dias de hoje.

Ele até tem um amigo que pensa bem diferente dele, e o confronta: “Ih, o fulano, o “teórico da conspiração”! (No Brasil, esse é o nome de quem sabe mais do que o Bonner contou, ou, dependendo do ambiente, mais do que saiu nas páginas 2 e 3 da Falha de São Paulo.) Para este cidadão “bem informado”, o amigo “vê coisas”, é “paranóico”, “se acha muito inteligente”, está sempre “revoltado” e “gosta de discordar”. Como Festus ao apóstolo, ele escarnece: “as muitas leituras o deixam louco”.

E nem desconfia que essa afetação de superioridade não passa de uma variante modernete do velho farisaísmo.

Nem desconfia que conhecer a realidade tem um preço. E que dificilmente são muitos os que querem pagá-lo. E que assistir ao telejornal não basta, e do jeito que as coisas andam, mais atrapalha do que ajuda.

Nem desconfia de que mais importante que o "acesso democrático à informação", é a conquista árdua, solitária e exigente, de uma autêntica formação. Intelectual e moral. Sem ela, não se interpretam os fatos, nem se identificam os nexos entre eles. Sem a formação, não se conhece a história, nem as implicações de se interpretá-la deste ou daquele jeito.

Sim, formação. Que o eleitor médio no Brasil hoje confunde com o seu diploma, com sua especialização, com os cursos que concluiu. Tudo com o carimbo do MEC, é claro. Esse, do Haddad. Das últimas colocações nos exames internacionais.

Faz algum sentido o fato de um povo que tem o “malandro” como ícone seja feito de otário da forma que tem sido, e ainda esbanje uma confiança prepotente em si mesmo, na grande imprensa e nesta classe política delinquente que controla o país?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Genizah: esculacho pró-socialismo travestido de apologética



O blog Genizah, comandado pelo marqueteiro
Danilo Fernandes, republicou dias atrás matéria da revista Istoé que trata da participação política dos protestantes durante o regime militar instalado no país em 1964, expressando apoio integral ao conteúdo da reportagem.

O que esperar da abordagem da revista Istoé sobre o tema? Bem, dependente de verbas governamentais, e com notório alinhamento às posições do partido que hoje controla o país, temos a resposta óbvia: lá está toda a engenharia da culpa típica das hostes socialistas, que sempre fazem a habitual e soturna seletividade na apresentação dos fatos: faz de terroristas, seus apoiadores e defensores, as pobres vítimas, e dos alinhados ao regime, os monstros, os verdugos, os carrascos.

Mas como esquecer do fato de que, durante a última campanha à presidência, assim que o candidato a vice na chapa do PSDB lembrou a todos de que o PT tem uma histórica aliança com o grupo narcoterrorista FARC, a revista fez matéria de capa atribuindo à oposição a mania de “ver fantasmas” e apelar para a “tática do medo”? Como a existência e ação contínua e planejada do Foro de São Paulo, que agrega PT, FARC e outros grupos socialistas da América do Sul é algo confessado pelo próprio Lula, um dos mentores do projeto, fica evidente que a Istoé tem um papel fundamental na revolução cultural anestésica promovida pela esquerda: sem fabricar a desinformação (dezinformatsiya – em russo), é quase impossível empreender a subversão das instituições.

E lá vamos por pingos nos ‘i’s. Houve exagero da parte dos militares? É claro, e eles mesmos reconhecem, hoje, envergonhados, ainda que saibam que estavam do lado da legalidade e da ordem, com amplo apoio popular. E o que fazem os revolucionários: continuam manifestando apoio a Fidel Castro, prosseguem encobrindo os assassinatos de seus próprios “camaradas” - os chamados “justiçamentos”-, desconversam quando toca-se no fato de que muito antes do golpe, já realizavam ataques, treinavam militantes, recebiam treinamento e diretrizes da Rússia, da China, e aliciavam estudantes. Que tal ler o manual de guerrilha urbana de Carlos Marighella? Na Intentona Comunista de 1935, mataram 500 pessoas em uma semana. O regime militar, em 20 anos, fez 376 vítimas, dentre as quais terroristas obstinados, ávidos por transformar o Brasil num grande Gulag.

Mas os arautos desse tosco “esquerdismo de crente” contaminado de liberalismo teológico vagabundo, como Danilo Fernandes,
Hermes Fernandes, Ed René Kivitz, Caio Fábio, Robinson Cavalcanti e Ariovaldo Ramos, não hesitam na hora de decidir em que lado ficam. Tanto que Danilo Fernandes está interessado em “cavar mais fundo” na história para buscar mais fatos que culpem os “reacionários”. E fica evidente sua “apologética” morbidamente seletiva e canhota, que divulga artigos e vídeos destas figuras e faz parceria com blogueiros pró-gayzismo como Sérgio Pavarini.

Vamos a um exemplo: o escritor Ricardo Gondim, que não crê na soberania de Deus e afirmou, em entrevista à newsletter petista Carta Capital que “nem todas as relações homossexuais são promíscuas”, teve um artigo seu em destaque no Genizah nesta segunda-feira (27). O motivo: a princípio, retrocedeu duma posição herética: afirma no texto que agora voltou a crer na volta de Cristo. Mas para quê: para despejar sobre o povo os ensinamentos do teólogo comunista Jürgen Moltmann, umas das grandes inspirações da Teologia da Libertação. Não deixou de enaltecer os “jovens guerrilheiros” que tomaram o poder em Cuba em 1959. Loas foram cantadas ao autodenominado “herético da vez”. Danilo estufa o peito, mas sobre outras dezenas de falsos ensinamentos de Gondim, dos quais ele nunca se retratou, nem uma palavra.


O que ensinava o teórico comunista Antônio Gramsci sobre a ação dos revolucionários sobre a fé cristã? Transformar a igreja numa grande instituição-papagaio da revolução, neutralizando-a desde dentro. E é assim que deve ser encarado o pronto endosso de Danilo Fernandes e asseclas à matéria da Istoé.

É também por isso que um homem íntegro como o pastor Enéas Tognini, que mobilizou toda a igreja brasileira à oração num momento em que a ameaça revolucionária crescia, é ridicularizado. É por isso que o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), um conluio internacional de comunistas que apóiam movimentos subversivos em todo o mundo há décadas é tido pela Istoé e por Danilo Fernandes como instituição confiável. Nada é por acaso, não é mesmo?

No mesmo Genizah foi publicado recentemente o artigo Em busca do equilíbrio perdido: A relação entre a Igreja Evangélica e a Ditadura Militar de autoria de Thiago Lima Barros. Danilo gaba-se de ter “cantado a bola” publicando o texto em seu ‘Almanaque’ 20 dias antes da publicação da matéria da Istoé. Dentre as pérolas do artigo, consta que as pressões dos americanos levaram Getúlio ao suicídio, e que estes, junto às empresas multinacionais e empresários brasileiros, também derrubaram Jango. Nomes? Nenhum. Enfim, a velha mitologia “progressista” tapuia, onipresente na mídia anticristã, mas já desmentida pelo agente comunista tcheco Ladislav Bittman. Do fato óbvio que Jango estava metido com os comunas até o pescoço (o próprio Luís Carlos Prestes disse em 1963 que os comunistas já estavam no governo), nada. Para Thiago Lima Barros, Lula salvou, em “seus dois quadriênios”, o nosso “capitalismo de araque” com benesses estatais. Os bancos e Eike Batista que o digam... Para ele, a igreja evangélica acabou por “meter os pés pelas mãos em 2010, caindo na lábia conservadora da máquina de difamações do PSDB paulista”. Por aí se vê o esquerdismo da criatura: chamar o PSDB, um partido intervencionista, politicamente correto, pró-gayzismo e pró-maconha de conservador, é mais do que entortar o espectro político para o lado da esquerda: é fazer pública profissão de fé no que há de mais falso no discurso petista.

E aí está o STF, aprovando tudo o que é contrário à fé cristã, da eliminação de embriões humanos às marchas de apologia às drogas, passando pelas uniões civis de gays à carta branca ao terrorista italiano Cesare Battisti. Enfim, confirmando todas as denúncias que Thiago Lima Barros chamou de “lábia conservadora”.

Thiago ainda ressalta a liberdade com que os cristãos combateram durante o governo do PT coisas como o PLC 122. Curiosamente, ele não falou que o gayzismo é uma das causas preferidas do PT (e também do PSDB). Mui neutra a criatura, como se vê. Daí para passar pito nos cristãos que, cumprindo seu dever cívico e moral, delataram os “irmãos” comunistas, foi um pulo. Mas esses comunistas, que ele mesmo reconhece que eram heréticos, não eram irmãos, de acordo com II João 1:9: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina não tem a Cristo”. Logo, sua bronca não tem o menor fundamento.

É com essa monteira de trapaças que Thiago Lima Barros posa de legítimo representante de um “evangelho equilibrado”. Alardeando neutralidade e isenção, ao mesmo tempo em que vocifera as crendices mais caras à esquerda. Evoca, assim, a “melhor” tradição do discurso revolucionário. Sem deixar de concluir lascando a lenha nos “Olavos de Carvalho e Julios Severos da vida”, para que o delírio genizático seja completo.

E tem outra: em verdade, em verdade, vos lembro, prezados: o padrão do cristão não é o equilíbrio. É a verdade. Elias, Daniel, Jeremias, Isaías, João Batista, Paulo, e o próprio Cristo nunca procuraram uma posição equilibrada em relação às idéias vigentes nas épocas em que viveram: defenderam a fé, passando-se por radicais, confrontando opositores, quer fossem fariseus, magos, reis, ou defensores dos poderosos do dia, como Thiago Lima Barros. Sejamos quentes. Os mornos, Deus vomitará. Quanto ao pessoal em cima do muro, vale o recado do diabo, na piada já conhecida: “Deixe-os ali. O muro é meu”.

Agora que aos olhos da grande imprensa surgiu uma "direita evangélica" ativa, que atrapalhou bastante a eleição de Dilma e atrapalha o avanço do gayzismo, é previsível que matérias como essa da Istoé, exemplo de desinformação gramsciana, se tornem mais constantes. O Cel Brilhante Ustra mostrando o quanto Persio Arida mentiu em seus artigos também foi um golpe duro aos cultores do mito da "ditadura brutal de 1964" e da superioridade moral dos subversivos.

Levando tais fatos em conta, quem duvida que fazer dos evangélicos um pelotão de "idiotas úteis" a serviço do socialismo e de políticas globalistas não está na agenda revolucionária?

Infelizmente, há milhares de apologistas dessa ideologia imbecil, assassina e absolutamente capenga, do ponto de vista lógico e conceitual, nas igrejas, seminários e editoras cristãs. Uma ideologia que se mostra um fracasso na economia, inigualável na matança, macabra em suas armadilhas sofísticas e psicológicas, e, como se vê no Brasil, um câncer na cultura. Pelos frutos, quem viveu o século XX, conhece-a muito bem. Basta um mínimo de bom senso e honestidade intelectual para perceber o quão mal intencionados são seus defensores.

Vai um “casamento gay” aí? Vai um aborto? Que tal um baseado? Vai um Hugo Chávez?Vai uma FARC? Vai um MST? Vai um imposto para fins “sociais”?

Não dá. Fique com o Evangelho. “Quando o ímpio domina, o povo geme”, diz a Bíblia. E eles dominam a cultura, a imprensa, as universidades, a máquina pública, a blogosfera, e querem dominar de vez a igreja. Como há muitos cristãos autênticos que morrem de medo de se posicionar, essa turba deita e rola.

Por essas e outras, estamos como estamos. Criemos coragem e façamos como João Batista, a voz que clamava, valente pela verdade.



terça-feira, 26 de abril de 2011

Teologia “cristã” ou mera tática de corrosão cultural?

Rob Bell, ícone da chamada “igreja emergente”, lança um novo livro, intitulado Love Wins, afirmando que, no fim das contas, o “amor vence, Deus é bom demais e esse papo de inferno não é bem assim”. Previsivelmente, ressurge o debate.

Não, meus caros, eles não querem provar que sua doutrina é a correta. No fundo, sabem que estão grotescamente errados. Ou alguém aí quer algo mais literal e contundente nos Evangelhos do que as afirmações do próprio Senhor Jesus sobre a realidade do inferno? Francamente, não posso acreditar que há pessoas que vejam Rob Bell e seu amigo Brian McLaren como pessoas desprovidas de cultura teológica, que nunca leram uma sequer das muitas e contundentes refutações, algumas delas escritas há séculos, a essa pataquada chamada universalismo soteriológico.

Descartada a hipótese da tosquice doutrinária, até porque McLaren e Bell ainda evocam conhecimento filosófico (bem, evocam o desconstrucionismo “pós-moderno”...), é claro que Bell, com a bem estruturada estratégia midiática que usa, sabia de antemão do impacto que Love Wins iria provocar. O reaquecimento do debate entre fãs da teologia liberal e apologetas do cristianismo bíblico era líquido e certo.

E começa o combate. O pós-moderno lança seus jabs, rodeia, mas logo o cristão bíblico manda aquele pesado cruzado (de direita) no queixo da criatura. 8, 9, 10. Fim. O problema é que poucos assistem a luta. E a vitória, no plano cultural, a longo prazo, será, sim, do pós-moderno. Basta ver como estão nossas igrejas hoje. O aprofundamento da já assustadora flexibilização dos padrões doutrinários e de conduta dentro do evangelicalismo contemporâneo é resultado mais visível da propagação de idéias como as de McLaren, Bell, e assemelhados.

Quer um exemplo? Bem, aí temos as dezenas de blogueiros fazendo críticas ferozes aos cristãos conservadores, posando de maduros, sensatos, equilibrados, e claro, culturalmente antenados (oh, excelsa virtude!) enquanto dão links para blogs e sites pró-gayzismo, ONG’s ecofascistas, partidos pró-aborto e com agendas notoriamente anticristãs. Sempre, é claro, em nome do seu insuspeito “amor cristão” pela humanidade.

Não poderia haver “cristianismo” mais palatável aos promulgadores do secularismo radical. E claro, das elites políticas globalistas. Tudo do jeito que a ONU gosta...

Isto posto, resta-me afirmar: no debate intelectual, seja sobre soteriologia, seja sobre o “problema do mal” ou sobre a possibilidade de conhecimento da revelação divina (até isso McLaren põe em cheque), os tais emergentes sabem: para eles, não há chance. O que eles visam mesmo é a modelagem cultural. De livro em livro, de vídeo em vídeo... a longo prazo, como tudo o que é feito objetivando efeitos culturais sólidos.

Infelizmente, na mais recente polêmica suscitada pelo recém-lançado livro de Rob Bell, não vi nenhum teólogo mais conhecido lidar com tal questão, por contundentes e oportunas que tenham sido as refutações.

Gerando caos doutrinário, essas figuras corroem a credibilidade de doutrinas óbvias, consolidadas e fundamentais para vivência de um cristianismo autêntico, libertador, baseado no agir do Espírito, que gera o anseio por santidade e zelo acerca das verdades reveladas nas Escrituras.

Nota-se fenômeno semelhante quando se observa a conjuntura do atual combate cultural numa perspectiva mais ampla. Do velho e desgastado evolucionismo, ao alarmismo ecofascista, temos situação análoga: o debate acadêmico prossegue, mas o vencedor na disputa cultural já temos. Não importa o quão farsesca se mostre a cada dia a tese do aquecimento global. Qualquer chuva a mais ou a menos já é, para as mentes simples, resultado notório das tais mudanças climáticas antropogênicas.

Alguém aí dá crédito, de fato, a uma teoria como o desconstrucionismo de Derrida e de seus asseclas "pós-modernos"? Ainda assim, ela serve para emburrecer pelotões de acadêmicos. Outro caso, outra pergunta: quantas crises financeiras, quantas "bolhas" e recessões econômicas precisaremos ver e viver, e quantas lacunas lógicas e conceituais ainda precisam ser identificadas na teoria econômica de John Maynard Keynes para que se abandone de uma vez por todas o ímpeto intervencionista dos defensores do "welfare state", do "Estado-Babá", causa suprema de tantas tragédias e guerras no século XX?

Quase todas essas teorias da modernidade são mais valiosas aos revolucionários pela destruição que causam do que pela sua suposta capacidade de interpretar e descrever certos aspectos da realidade, quando de fato o fazem. E é dessa forma que devem ser observados os postulados de Rob Bell e Brian McLaren. Nada muito diferente do caso da tal “teologia” da “Missão Integral”.

As frentes de ataque ao cristianismo na esfera cultural são muitas, e a liderada pela dupla universalista me parece bem mais nociva à Igreja do que, por exemplo, a do neo-ateísmo militante de Dawkins, Harris, Dennet e Hitchens. Além de parecer muito mais uma disputa interna do que um ataque de infiltrados (e pode muito bem, ser, sim, e palmas para John MacArthur, que tocou na questão) não causam repulsa imediata da mesma forma que o gayzismo, por exemplo, causa. Mas, é claro, abre-lhe caminho, afinal, se o cristão despreparado, simples, começa a ouvir um ou outro lobo na pele de pastor dizendo que "ninguém vai para o inferno, o amor vence no final", estamos às portas de um “liberou geral” que terá na própria Igreja seu epicentro.

Vale destacar que em todo o Ocidente ainda estamos pagando um preço elevado, nas famílias, igrejas e instituições com o “liberou geral” dos anos 70.

Àqueles devotos de um suposto "equilíbrio" teológico ou intelectual, uma turma pusilânime da qual sempre desconfio, as velhas heresias de Bell e McLaren soarão como um "posicionamento interessante". E contará com vários adeptos instantâneos: aquele pelotão de cristãos já anestesiados com o pensamento deste século, que apóiam bovinamente a tudo que pareça "tolerante", "includente", ou politicamente correto. Enfim, aqueles cristãos vacilantes que a cada dia cedem um pouco mais para a cosmovisão moderna, sem a qual o reino do Anticristo não se legitima ante as massas, e que se tornam um nicho de mercado cada vez mais promissor para sofistas de fala mansa e teologia torta.



segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sites da extrema burrice neuropetista voltam a atacar



Publicado como editorial no Mídia Sem Máscara (sim, é de minha autoria).


O protesto de alguns poucos conservadores contra a nomeação do neurocientista Miguel Nicolelis à Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano foi o suficiente para que Nicolelis, apoiado por cães de guarda midiáticos como Luiz Calos Azenha e Luís Nassif, rotulasse toda essa oposição de "extrema-direita". Um grupo de pessoas que, na sua visão, seriam violentas e pouco inclinadas ao livre debate democrático, segundo declarou em entrevista publicada nos sites dos dois supracitados agentes da desinformatsia dilmista considerados jornalistas.

Como se não bastasse, o neurocientista, ultrassensível à críticas, pediu reforços em sua segurança pessoal, mesmo admitindo não ter recebido ameaça alguma. E de conhecimento público tornou-se o diagnóstico do mal que aflige a cabeça do Dr. Miguel Nicolelis: neuropetismo crônico e generalizado.

Patologias à parte, vamos ao saneador esclarecimento de algumas questões:

(1) A posição milenar da Igreja Católica sobre o homossexualismo não deixa dúvidas: é um pecado, é imoralidade, é algo que vai contra a própria fisiologia humana.

O neurocientista Miguel Nicolelis apóia a união civil de homossexuais, o que nivelaria juridicamente os casais gays à família tradicional.

(2) A Doutrina Social da Igreja Católica afirma sobre socialismo: os fiéis que o apoiarem estão auto-excomungados (latae sententiae).

Miguel Nicolelis, ateu, não só votou na terrorista candidata do Foro de São Paulo à presidência do Brasil, como escreveu textos em defesa de Dilma Rousseff e seu partido, o PT, durante a campanha.

(3) A Igreja Católica Apostólica Romana se opõe ao aborto.

Nicolelis é a favor da descriminalização do assassinato de fetos.

(4) Consta no artigo 5 da Constituição da Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano: "os candidatos a uma vaga na Academia são escolhidos pela Academia na base de seus eminentes estudos científicos originais e sua reconhecida personalidade moral". A escolha, segundo o documento é feita "sem nenhuma discriminação étnica ou religiosa".

Alguém duvida de que qualquer cristão com um mínimo de bom senso questionaria se o Dr. Nicolelis, apoiando o que apóia, é de fato, alguém com "reconhecida personalidade moral"?

(5) Outra pergunta: é vedado a qualquer cristão, no pleno exercício de suas atividades intelectuais, se opor à nomeação de um defensor de socialistas, do aborto e de políticas gayzistas à Pontifícia Academia de Ciência do Vaticano?

Qualquer católico não só tem esse direito, como esta é única postura coerente com os princípios de sua fé. Católicos reconhecem que o Vaticano errou, e os revolucionários, sempre posicionados contra qualquer pronunciamento da Igreja Católica (na verdade, mal escondem que, para eles, ela não deve abrir a boca sobre nada, nunca), desta vez a apoiaram, simplesmente porque favorece um de seus ícones.

A pergunta que resta é: a quem, então, Luís Nassif e Conceição Lemes, endossada por Luiz Carlos Azenha, chamam de "extrema-direita"?

Evidentemente, para esses esquerdistas conhecidos, a "extrema-direita" é composta pelos católicos, e todas as pessoas, cristãs ou não, que se opõem ao aborto, ao socialismo e às políticas gayzistas.

A canalhice da patota ao aplicar tal rótulo aos cristãos já seria aterradora ficasse por aí. Mas deve-se destacar que o rótulo "extrema-direita" comporta aí duas acusações. Além de um suposto extremismo ideológico, (como se defensores do aborto, do petismo e do gayzismo fossem os exemplares máximos da neutralidade política), fica a associação popular, e totalmente falsa, com o nazi-fascismo e com facções da linha da Ku Klux Klan.

Uma associação da qual a edição brasileira do Le Monde Diplomatique deste mês reforça com uma foto de um skinhead com uma suástica tatuada na nuca e a manchete: "Cresce a extrema direita". Nas páginas internas, matéria intitulada "A direita radicaliza", coloca os governos de Mussolini e Franco como inauguradores de um modelo que a "ofensiva da hierarquia católica" dá continuidade, valendo-se do discurso conservador dos "bons costumes".

Ao olhar do observador atento da história, e de um conhecedor do pensamento político minimamente livre da mistificação revolucionária, nada poderia ser mais falso. E ficam algumas perguntas:

Como associar os conservadores, promotores da moralidade judaico-cristã, do livre mercado e do estado mínimo, às ideologias totalitárias de Hitler e Mussolini, socialistas convictos, centralizadores de poder, anticapitalistas, anticristãos e revolucionários?

Como esquecer da apologia da eugenia por parte de ícones do progressismo, como George Bernard Shaw, John Maynard Keynes, Julian Huxley, Sidney Webb (patrono dos socialistas fabianos) E. A. Ross, e Margareth Sanger, fundadora da liga que posteriormente se tornou a instituição abortista Planned Parenthood, tão protegida pela esquerda obamista nos EUA?

Como não levar em conta os vínculos da esquerda acadêmica dita "pós-moderna" com o nazismo, lembrando-se de nomes como Paul de Man e Martin Heidegger?

Como associar a Ku-Klux-Klan a uma suposta extrema-direita, se em 1924 a facção racista participou da convenção Klanbake, do Partido Democrata dos EUA, o partido de Al Gore, Obama, Clinton e Jimmy Carter, ex-presidentes idolatrados pela imprensa socialistóide tapuia?

Não são os conservadores os principais oponentes das políticas raciais esquerdistas, como as quotas nas universidades, políticas essas que fazem do Estado instrumento de oficialização do critério de raça, ao melhor estilo nazista?

Não são os conservadores os adversários de qualquer tentativa de planificação cultural e econômica defendida pela esquerda estatólatra que faz do "Estado de Bem-Estar Social" (que ao surgir, tinha a eugenia como um de seus meios) seu deus?

Respondidas essas perguntas, fica evidente: se há alguém, no âmbito das idéias políticas, próximos a aberrações ideológicas do século XX como o nazismo e o fascismo, estes são os defensores da ideologia mãe destas duas: o socialismo, uma paixão de quase toda a imprensa brasileira atualmente.

Só mentes afligidas pela extrema burrice e pelo neuropetismo não enxergam essa obviedade.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Post rápido de Natal


Feliz Natal! Opa, pelo que tenho visto, continua valendo, e cada vez mais, o aviso que escrevi no ano passado.

E para 2011, pretendo escrever mais aqui no blog. 2010 foi uma correria, me senti numa gincana, principalmente no segundo semestre. (E aprendi a odiar gincana nos retiros da igreja.)

Neste post, o André reflete sobre algumas lições de Spurgeon sobre o Natal.

E aqui, um breve recado de John MacArthur, para avaliarmos nosso amor Àquele que veio como menino, mas que reina e vive para todo o sempre, o Senhor Jesus.

Fui!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Universidade Mackenzie: Em defesa da liberdade de expressão religiosa

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.


Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).


Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual; da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.


Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 (link: http://www.ipb.org.br/noticias/noticia_inteligente.php3?id=808)e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.


Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro.

Para ampla divulgação.


terça-feira, 20 de julho de 2010

PT e FARC: Recordar é viver...

Hoje tem artigo meu no Mídia Sem Máscara: PT e FARC: Recordar é viver...
(Este artigo foi citado por Índio da Costa no Twitter. Agora só falta a oposição tomar uma atitude concreta.)




Até figuras
como Alborghetti, Merval Pereira e Raul Reyes falaram dos vínculos entre o PT e as Farc. Por que o PT quer processar só o PSDB?

Se o PT quiser processar todo mundo que os liga aos narcotraficates, vai faltar tribunal. Pois além dos pioneiros Constantine Menges, Olavo de Carvalho, Graça Salgueiro, Heitor de Paola e outros articulistas do MSM, que há anos escrevem rotineiramente das conexões entre o PT, as Farc e outros grupos terroristas e do narcotráfico latino-americano, outras pessoas já denunciaram os fatos que só agora, após anos de devastação petista, Índio da Costa, seguido pela tucanada (José Serra, Sérgio Guerra, Geraldo Alckmin) resolveu comentar.

Então, considerei útil agregar alguns links, vídeos e comentários a respeito. Encontrei-os rapidamente, clicando web afora, nesta segunda (19), interessado que estava para ler a respeito.

Bem, o PT já não pode mais processar Raul Reyes, o segundo das Farc, abatido pelos bravos militares colombianos numa operação que também capturou o notebook do traficante, que continha informações sobre... Bem, para não restar dúvidas, segue trecho da entrevista do ex-vice das Farc, realizada pelo jornalista Fabiano Maisonnave, lá atrás, em agosto de 2003, na não menos revolucionária Folha de S. Paulo:

Folha de S.Paulo - Qual é a sua avaliação do governo Lula?

Reyes - Tenho muita esperança em que o governo Lula se transforme num governo que tire o povo brasileiro da crise. Lula é um homem que vem do povo, nos alegramos muito quando ele ganhou. As Farc enviaram uma carta de felicitações. Até agora não recebemos resposta.

Folha de S.Paulo - Vocês têm buscado contato com o governo Lula?

Reyes - Estamos tentando estabelecer --ou restabelecer-- as mesmas relações que tínhamos antes, quando ele era apenas o candidato do PT à Presidência.

Folha de S.Paulo - O sr. conheceu Lula?

Reyes - Sim, não me recordo exatamente em que ano, foi em San Salvador, em um dos Foros de São Paulo.

Folha de S.Paulo - Houve uma conversa?

Reyes - Sim, ficamos encarregados de presidir o encontro. Desde então, nos encontramos em locais diferentes e mantivemos contato até recentemente. Quando ele se tornou presidente, não pudemos mais falar com ele.

Folha de S.Paulo - Qual foi a última vez que o sr. falou com ele?

Reyes - Não me lembro exatamente. Faz uns três anos.

Folha de S.Paulo - Fora do governo, quais são os contatos das Farc no Brasil?

Reyes - As Farc têm contatos não apenas no Brasil com distintas forças políticas e governos, partidos e movimentos sociais. Na época do presidente [Fernando Henrique] Cardoso, tínhamos uma delegação no Brasil.

Folha de S.Paulo - O sr. pode nomear as mais importantes?

Reyes - Bem, o PT, e, claro, dentro do PT há uma quantidade de forças; os sem-terra, os sem-teto, os estudantes, sindicalistas, intelectuais, sacerdotes, historiadores, jornalistas...

Folha de S.Paulo - Quais intelectuais?

Reyes - [O sociólogo] Emir Sader, frei Betto [assessor especial de Lula] e muitos outros.

Folha de S.Paulo - No Brasil, as Farc têm a imagem associada ao narcotráfico, em especial com o traficante Fernandinho Beira-Mar. A Polícia Federal concluiu que ele esteve na área das Farc junto com Leonardo Dias Mendonça. O sr. confirma?

Reyes - Não sou um policial, sou um revolucionário. A Colômbia não é tão grande como o Brasil, mas tem 1.142.000 km2, e as Farc estão presentes em todo o país. Qualquer um que chegue do Brasil, da Europa ou dos EUA a qualquer um dos Departamentos da Colômbia, pode vir a ter contato com a guerrilha.

(http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u62119.shtml)

Fica a pergunta: Raul Reyes pôde falar das conexões PT-Farc. Por que Índio da Costa, não?

Adiante. Em março de 2005, como se publicasse grande novidade, a revista Veja apresentou a reportagem Laços Explosivos: Documentos secretos guardados nos arquivos da Abin informam que a narcoguerrilha colombiana Farc deu 5 milhões de dólares a candidatos petistas em 2002. Para quem já lia o Mídia Sem Máscara, a revista chovia no molhado.

Em 2008, até Merval Pereira [ver nota] tocou no assunto (valeu, Aluizio Amorim). Sabemos, Merval Pereira pode ser acusado de tudo, menos de conservador, de anti-esquerdista, de inteligente, etc.

Eis o vídeo:



O velho Alborghetti (bem lembrado, kamaradas do Vanguarda Popular) também não deixou por menos. No mesmo ano, lia em seu programa de tevê matéria da jornalista Juliana Castro, que tratava de uma atitude de militares da reserva brasileiros: com base nas informações apuradas pela revista Cambio, falavam das conexões entre o PT e o grupo narcoguerrilheiro auto-intitulado Farc. O PT quer ferrar os militares a todo custo, mas jamais processou o falecido Luiz Carlos Alborghetti.



O jornalista Políbio Braga comentou ontem no Twitter, que as Farc foram recebidas pelo então governador Olívio Dutra, do PT, no próprio palácio do governo do Rio Grande do Sul. Olavo de Carvalho comentou o episódio na época, não sem antes citar uma declaração de George Bernanos que adquire cada vez mais uma inegável dimensão profética. Em suas palavras:

Georges Bernanos, um profeta que tinha o péssimo hábito de acertar, disse na década de 40 que "o Brasil é um país maravilhoso, mas infelizmente destinado a ser palco da mais sangrenta das revoluções".

Se depender das autoridades gaúchas, isso é para já. Receber líderes das FARC para conversações secretas, dar-lhes proteção estatal para que ensinem até a crianças de escola as metas e métodos da narcoguerrilha colombiana é o mínimo que o governo do sr. Olívio Dutra se permite (http://www.olavodecarvalho.org/semana/04212002zh.htm).

Ainda há mais. Como a nomeação da esposa do pseudo-padre articulador das Farc Olivério Medina, para uma "boquinha" na Secretaria Especial de Agricultura e Pesca, a pedido de Dilma Roussef. Saiu na Gazeta do Povo:

A Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, órgão do governo federal com status de ministério, emprega desde 2006, em um cargo de confiança, a paranaense Ângela Maria Slongo, mulher do ex-guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Francisco Antônio Cadenas Collazzos, conhecido como Oliverio Medina. Ela também é, desde 1986, professora concursada da Secretaria de Educação do Paraná e foi cedida pelo governo do estado ao órgão federal em 2006 - num pedido feito pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao governador Roberto Requião.

Acusado de homicídio e terrorismo na Colômbia, Medina viveu em prisão domiciliar em Brasília entre 2005 e março do ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) extinguiu o pedido de extradição para o país vizinho.

(http://www.gazetadopovo.com.br/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=772307&tit=Mulher-de-ex-guerrilheiro-das-Farc-tem-cargo-no-governo)

Reinaldo Azevedo também escreveu artigo relembrando de alguns desses fatos, e tem mais informações por aí. Elenquei algumas, dando ênfase aos veículos de comunicação bem conhecidos da patuléia, para não aparecer nenhum bobalhão dizendo que se trata de mais uma "teoria da conspiração".

Sabe como é. Estamos lidando com brasileiros. Gente que vota em tucanos e petistas.

Nota de esclarecimento:

É útil lembrar que Quando Olavo de Carvalho foi demitido do Globo, o editor dos seus artigos era Merval Pereira, que também ocupava um cargo na diretoria e assinava uma coluna semanal. Enquanto Olavo denunciava os fatos que comprovavam a articulação do PT com as Farc através do FSP, Merval tratava de amenidades. Em julho de 2005, Olavo foi dispensado do trabalho, sem aviso prévio, única e exclusivamente porque suas denúncias estavam criando um desconforto insuportável no ambiente do jornal. Em outras palavras, Merval é um dos responsáveis por Olavo ter perdido o emprego, e, com muitos anos de atraso, copia o colunista que ele próprio demitiu por denunciar a mesma matéria que ele repete na gravação da GloboNews.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pela restauração dos absolutos


Se não houvesse um padrão de moralidade absoluto, discussões morais não fariam o menor sentido, lembrava C. S. Lewis. Padrões morais distintos só podem ser comparados à luz de um padrão moral absoluto, oriundo, inescapavelmente, de um Legislador Moral absoluto.

E se na esfera individual a ética é absoluta, também deve ser em âmbito coletivo. E o ordenamento da sociedade, quanto mais alinhado a este padrão, melhor será. Alguma dúvida quanto a isso? Se ainda há - mesmo diante do colapso moral e intelectual do Brasil - vale investigar, na história, as idéias predominantes na ascensão e no declínio dos povos e civilizações.


Outra conclusão fundamental, e até óbvia, de Aristóteles, que serviu de alicerce para toda a filosofia política na Idade Média, seja no contexto árabe, cristão ou judaico, foi a de que se a polis é o domínio onde os atributos da natureza humana podem se realizar de forma plena, para compreendê-la é necessário ter uma visão clara e realista da natureza humana, dos seres que compõem a polis. Enquanto os acadêmicos de hoje se descabelam, considerando problemático o fato de que, nas ciências humanas, o sujeito que estuda e o objeto de estudo é exatamente o mesmo - o homem-, Aristóteles e os grandes filósofos daqueles tempos afirmavam que essa era, e é, justamente, a solução do problema, no que tange à epistemologia.


Por que essas considerações? Simples. Para lembrar que política, e o conhecimento válido a respeito do assunto, não se reduzem meramente a achismos, mera subjetividade, atribuir culpa a esta ou aquela corrente, ou que “falou em política, falou em sujeira”, como se esta dimensão da natureza do homem, como se este ramo do conhecimento, fosse algo essencialmente maligno. Se é, por que se tem tanta esperança que processos, planejamentos, agentes, ideologias e partidos políticos podem trazer melhorias concretas para a sociedade?


Triste é constatar que os indivíduos mais esperançosos no aprimoramento do homem e da sociedade por meio dos processos políticos são os primeiros a jogar para o alto as premissas mais preciosas do conhecimento nesta área, recriminando toda e qualquer oposição a seus postulados apriorísticos (ideologia é essencialmente uma doença cognitiva baseada no apego irracional a postulados desta ordem, desconexos de mediação empírica, com a realidade) de forma arbitrária.


Para cristãos, cair nestes erros é ainda pior. Uma fé que: (1) defende o caráter absoluto da moralidade, (2) afirma a condição caída do homem, e com um (3) parecer taxativo deste Deus onisciente e perfeito sobre a condição moral da humanidade: “vós, que sois maus” (Mt.7:11), não pode, de forma alguma, ceder a relativismos epistêmicos, que jogam a orientação política de cada fiel no cesto das preferências meramente subjetivas, e das utopias que prometem paraísos na terra. Que paraíso, que reino de justiça e paz é esse repleto de homens que, enquanto estiverem vivos, serão maus?


Aí estão conclusões inescapáveis para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso. Infelizmente, o ímpeto revolucionário, ou seja, a revolta contra a realidade, a suprema rejeição de sua condição, de sua natureza e das circunstâncias quais foi inserido, por parte do homem, se alastrou de tal forma no presente estágio da história, que a perda, ou melhor, a cegueira obstinada quanto a estes princípios redundou no surgimento das assassinas ideologias de massa, e na infiltração destas em todos os ramos do conhecimento humano. Perdidos os princípios, o debate no campo das ciências humanas, em larga medida, reduziu-se a algo semelhante às discussões de futebol: “meu time (no caso, ‘minhas teorias favoritas’) são melhores que as suas simplesmente ‘porque sim’”.


Mais de uma vez debati com pessoas que, não podendo lidar com estes e outros princípios, pois se chocavam brutalmente com suas opiniões de estimação (na prática, verdadeiras muletas existenciais), apelavam para o xingamento, para o chiste vazio, e para risadinhas que evidenciavam mais o estado deplorável de suas almas do que qualquer outra coisa. Jamais cogitaram na possibilidade de que filosofia política, ciência política, e economia política são assuntos tão espirituais quanto soteriologia, cristologia, harmatiologia, etc.


“Não vou mais discutir com você. Vou escolher outros eruditos, que falam justamente o contrário, e seguí-los”, disse-me certa vez um rapaz. Não foi o primeiro a me chamar de “erudito”, o que denota não só o desaparecimento dos eruditos, mas, pior, a quase onipresente incapacidade de identificá-los; sequer sabe-se o que é um autêntico erudito atualmente. O mais grave mesmo, na afirmação da pobre alma, é que ela me remeteu diretamente a um aviso bíblico:


Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.
(2 Tm. 4: 3,4)


É claro que é sempre divertido encurralar gente presunçosa. Mas é lamentável ver este rapaz, e toda uma geração, rejeitando, na prática, os princípios, os absolutos, a noção mesma da verdade e da possibilidade de conhecê-la. Na política, na antropologia, na teologia, na busca de conhecimento sólido e devidamente fundamentado. Querendo dominar e aprimorar o mundo, perderam o controle de suas próprias mentes, e tornaram-se zumbis, autênticos mortos vivos, e levam o cheiro da morte por onde passam.


Já afirmei anteriormente que ser um “cidadão do nosso tempo” é essencialmente afirmar com todas as forças não suportar a mentira e a injustiça, e em seguida, dizer que a verdade é relativa e que não existe certo e errado. Há muitos que não chegam a tanto, mas abrem exceções para algumas áreas, e política costuma ser preferida. Ainda assim, sem notar na contradição em que caem, querem dar seus pareceres no assunto. Comprometidos com a verdade é que eles não podem estar, certo?